Tuesday, June 23, 2015

(posição) COM (posição)


Sobre Tempo Real, Composição e Relação

Percepção do workshop de Composição em Tempo Real, de 19 a 21 de Junho de 2015, no Atelier Real e fragmentos do discurso de João Fiadeiro, nesse contexto.






Criar um enunciado. Partilhar uma inquietação sem explicar. 
Nunca se agarra... há que criar toda uma estratégia de circunscrição até que... 
Inquietação que precisa ser domesticada... se fores direto, matas!
Criar condições para que o afecto se manifeste e, uma vez conseguido, não podes olhar de frente (depois é sempre um ir e voltar).

Fase de espera... um estou aqui! Onde se está. O estar aqui, em movimento. Fluxo.

Quando se faz a pergunta, já está a acontecer, depois, é saber gerir!

É o tempo da mediação do impacto! A inquietação (um movimento de inclinação) o processo de composição começa lentamente. 




Ponto real é a capacidade de aceitar este ponto, não saber o que vai acontecer e questionar o que aconteceu. Volta-se ao mesmo lugar porque nunca se saiu desse lugar ... o homem sem umbigo. Um tempo sem passado, uma espécie de poder de repetição.

O tempo real é o espaço antes do loop, sem o peso do passado ou perspetiva de futuro (na vida está sempre a acontecer, em micro escala).

Gestão do tempo real:

- saber alargá-lo — parte do treino é alargar o tempo real, uma amplitude, um circulo de vida que nos permite reparar, prestar atenção nesse novo acontecimento e o tempo é dado pela amplitude. Prolongas ouvindo...com paciência. 

- passar um certo número de etapas — saber reflexo/ reação (medo/ o que já sabes) sobreviver à tentação de reagir. Treinar a tentação de resolver/ ultrapassar o reflexo e o saber interpretativo. 




Composição: relação da relação (o que é importante).

Sensível à posição (sensível pelo desapego).

O ponto é o que fica.
"Meiooooooooooooo" (não tem princípio nem fim).


Posição é nada.

O critério de seleção é o que permite maior sustentabilidade do sistema não é o que eu gosto, mas depende da minha sensibilidade. Às vezes, somos cegos ao nosso desconforto... é preciso criar possibilidades de relação.

1ª posição — enquadramento — para onde eu olho.

ex: 
 "posição" (-1) - ação 
 "com" (0) - açúcar 

... o objetivo é chegar ao 1.


O "com" inaugura o movimento e não há certo ou errado. 
Na composição há mais atento/ mais sensível.

Uma nova ação, sem relação com a 1ª é uma mudança de plano.
O grande objetivo é prolongar.

Só posso conversar se estiver no mesmo plano (exemplo da folha de papel, da dobra, de mudança de plano) quem decide é o acontecimento.

Quem lambe o açúcar é quem sugere a mudança, mas é preciso aceitação para haver uma mudança de plano.


Em composições livres não há relação. Há muitas posições que é completamente diferente.


-1 é o que está em potência.

" O que eu sou não fui sozinho" tornei-me naquilo que o outro decidiu...


- O que estavas a fazer? 
- Eu estava a fazer rasto.


As possibilidades ficam latentes, vão afunilando.










Não podes fazer duas posições em simultâneo.

Não é preciso um jogador para haver mudança porque os objetos têm agência — acumulação, deformação, instabilidade, etc.

Trabalho a solo: deixar o tempo para a relação se posicionar.

Distancio-me com a colaboração dos outros, no decorrer dos acontecimentos, suficientemente perto para me envolver, suficientemente afastado para poder compor.

Sistema/ modo operativo.



Duas formas de chegar ao fim:

— acidente (externo/ alteração)
— loop (saturação)



Não há composição sem tempo real (...) não há tempo real sem composição.
Não vale a pena seres um mestre em composição se não fores sensível ao momento.

Estar entre o dentro e o fora o antes e o depois.













Uma coisa em mutação que nunca agarras, na verdade nunca percebes nada. 
Saber que não vamos saber é muito importante!


Alargar o tempo real: reparar em mais detalhes.


Crucial a partilha do "quê" ... o "como" não importa.


As maneiras diferentes de descrever a mesma ação — preso, limite, circunscrição.




Adiar o fim não é a qualquer preço (...) se uma determinada atitude, enquanto gesto criativo ou artístico, embora precipite o fim crie uma intensidade que o justifique... (o sabor).

Sensibilidade às condições iniciais — teoria do caos.

O ideal... ativar o "com" e passar rapidamente à composição.

O "ponto" que confirma a linha. Preciso largar a imagem "hologramada" e ser sensível e aceitar o outro.

Repetição com diferença.

Ser sensível às mudanças. Treinar a possibilidade de ir ao limite das coisas. Deixar acontecer e saber aceitar o que acontece.
Vida — uma coisa acontece e tem de haver a capacidade de se relacionar.

Escala 1:1
Lidar com o acontecimento.








Há um tempo.
Há um espaço.
Há uma necessidade em participar.
com o quê...










Não podes explicar o que vais fazer nem o que fizeste. Tem de ser simples — crucial — claro e simples.
Conjunto de reformulações, o hábito desaparece.

É um trabalho que vive das restrições.
Restrição em função do sabor.
Restringir permite reconhecer qual o território. 

Saber retroativo ("o que eu sou não fui sozinho").

Nem por antecipação, nem para sempre, é um saber provisório.

Desconfio do meu saber reflexo. 




1 Relação das posições
2 Relação das relações

Qualidade da presença (não manipular) respeitar os micro saberes.







O modo como ofereces o teu corpo e se transforma em "coisa" (não é objeto, nem sujeito).

A "coisa" é aquilo em que não há distinção... não há hierarquia entre objeto e sujeito.

Sem impor, jogar o jogo (no futuro) ajudando o jogo a confirmar-se. Clarificando o futuro ou limpando o passado.

As coisas tem de ser força e não peso.




O "Eu" não existe!
Eu em relação com aquilo (...)
A relação é que importa.

O trabalho é a tradução do afeto.
O que importa é reconhecer o afeto que me é singular e que mexe comigo, que me move (quando isso acontece é incrível, acontece poucas vezes).
Depois de identificado é o desdobramento... até à saturação.


Os momentos de saída também são lugares de treino.


Como não há passado nem futuro neste trabalho, se tu perdes o presente é o fim.

Sensibilização de uma sensibilidade. Consciência. 
Criar cumplicidade para ir resolvendo. 

A composição depende de algo que está a meio, em modo gerúndio.


Investigação do ponto de vista do utilizador.




Há uma diferença entre impasse ou espera.
Todos os jogos são possíveis, menos o da indecisão!

Como é que eu vou saber se estás a jogar o jogo de falta de clareza ou se estás a ser pouco claro?

Eu sei que estou a jogar o jogo de "não conseguir"... mesmo o jogo de não conseguir tem um tempo (...) não é para sempre que se pode "não conseguir"...

Clareza do enunciado.








O trabalho é sobre as relações e não sobre as posições. É preciso desapegar. Prática do desligamento embora o trabalho seja a ligação. 


A diferença é o resultado da repetição — "repetição com diferença". 


Percepção do resto do rasto do traço.

Fazer nada, durante um tempo. Tens de fazer nada para que a evaporação seja perceptível.


O sentido deste trabalho não é desacelerar mas saber lidar com o tempo real do mundo. Treino da intuição para saborear a velocidade. Por isso importa distinguir teimosia de sintonia. Confiar na intuição e ser sensível ao tempo real. 


Estar fora e projetar no interior. Estar dentro e projetar no exterior.

Treino da atenção.

Retirando o ruído sobre a redução e seleção do foco, ser olhado pela coisa que se olha, tornar-me coisa.



Temos sempre de ir para a maratona, mesmo que se faça só os 100 metros.
Vamos para aguentar. Se não aguentamos, mudamos de centro ou de plano!
As mudanças são uma consequência de não aguentarmos! Mas o que importa é irmos para a maratona. 

Temos essa ilusão... de que aguentamos... 

Projetar o futuro ou viver no passado... é errado!

O treino da dobra é que não é evidente, porque achamos que podemos dobrar e colar a nosso bel-prazer ... e não... quando rasga, rasgou e é preciso começar de onde ficou.







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